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HUMOR: Conheça melhor os candidatos ao Globo de Ouro

Saiba porque é que César Mourão, Bruno Nogueira, Ricardo Araújo Pereira, Herman José e Joana Marques estão nomeados para um globo.

Os cinco da comédia, numa lista de nomeações que coloca o humor num patamar artístico cimeiro.

Todos os dias nos coloca à prova num Tubo de Ensaio radiofónico – em coautoria com Nuno Quadros – onde mistura, com saberes de laboratório humorístico, ingredientes cáusticos e um olhar clínico sobre temas da atualidade, ou nem por isso. Três minutos de zoom in sobre as fragilidades individuais e coletivas. Sem filtros e sem remorsos, desnuda o país inteiro numa gargalhada inteligente. Mas são inúmeros os palcos em que Bruno Nogueira, um dos humoristas de maior dimensão nacional – não exageramos, tem mais de 1,90 m –, se movimenta com mestria. Do teatro à televisão, do cinema à stand up comedy, de projetos experimentais à música. Em plena pandemia, quando todos achavam que nada havia a fazer, criou, inadvertidamente, um verdadeiro movimento cultural, com Corpo Dormente e os seus diretos na rede Instagram. Como É que o Bicho Mexe? mexeu com todos e foi apenas a reinvenção de um novo palco no campo virtual. Seguiu-se outro campo, agora de dimensão física, o Campo Pequeno, sala que, dentro dos limites sanitários, Bruno Nogueira encheu para mais um espetáculo de Deixem o Pimba em Paz, o primeiro desde que o mundo se colocara em stand by, e quase se esqueceu a pandemia lá fora. Titubeava-se o princípio do desconfinamento, mas outro princípio não tardaria e ele trazia meio e fim. Princípio, Meio e Fim – exibido na SIC durante seis semanas –, foi outra refrescante aventura, na qual o humorista reuniu amigos e parceiros do ‘Bicho’: Nuno Markl, Salvador Martinha e Filipe Melo como coautores, Albano Jerónimo, Jessica Athayde, Rita Cabaço e Nuno Lopes na representação. Bruno Nogueira, ou como a criatividade pode salvar a humanidade, é um justo nomeado a Personalidade do Ano no reino do Humor.

Segue-se o mestre do improviso e um dos mais populares e porventura o mais intergeracional humorista nacional. César Mourão, num registo muito próprio, de enorme ligação com o público, há muito que delimitou o seu espaço humorístico, o qual tem vindo a alargar fronteiras. Lip Sync Portugal, Terra Nossa e A Máscara são alguns dos projetos televisivos em que participou nos últimos dois anos. Todavia, talvez Esperança seja o feito mais extraordinário do biénio que cabe julgar na edição das bodas de prata dos Globos de Ouro. Longe do improviso, que tão bem domina, o ator dá vida, corpo e carisma a Esperança, uma idosa que Mourão tinha criado para o teatro e que deu agora o salto para a televisão, pela mão da Opto. Considera-o o trabalho mais duro que já fez. Três horas de transformação diária para recriar a persona, com recurso a próteses faciais que fariam a inveja de Tom Cruise em qualquer uma das suas missões impossíveis, e o resultado é uma adorável, mas destemida senhora de oitenta anos. Qualquer semelhança entre Esperança e César Mourão é pura… arte.

Herman José, o mais camaleónico e inventivo, o mais celebrado e inspirador humorista do país, verdadeiro pioneiro da gargalhada nacional, pano de fundo cultural de gerações a fio é também um dos artistas mais premiados dos Globos de Ouro. Um total de oito galardões, entre 1995 e 2007, nas categorias de Melhor Apresentador de Entretenimento, Melhor Programa de Ficção e Comédia, Melhor Programa de Entretenimento, e um Prémio de Mérito e Excelência. Verdadeiro one man show, ou ‘Senhor Entertainment’, como se autodesigna no seu site oficial, Herman José tanto anima festas populares como enche salas de espetáculos em nome próprio, dentro e fora do país. Pelo meio – e há tanto pelo meio – anima-nos Cá Por Casa. Mas não só, atento e multifacetado tira partido, como poucos, das redes sociais e das novas plataformas digitais, um novo palco para o seu inesgotável talento, que sempre nos chegou em ‘paletes’.

No restrito clube do humor, onde a lei do Bolinha – ‘menina não entra’ – parecia levar a melhor, é extremamente agradável – não é gralha, é mesmo agradável que pretendemos dizer – poder apresentar uma nomeada e logo Joana Marques. É argumentista, humorista, apresentadora de televisão e de rádio – é uma das locutoras do programa As Três da Manhã, da RFM, onde assina a crónica Extremamente Desagradável – e autora de um registo com assinatura que utiliza em nome próprio ou em parcerias, como é o caso do coletivo que alimentou o programa Isto É Gozar com Quem Trabalha, apresentado por Ricardo Araújo Pereira. É ainda rosto do Canal Q, canal por cabo alimentado pelas Produções Fictícias.

Ninguém goza com quem trabalha melhor do que Ricardo Araújo Pereira. Cronista, em solo luso e brasileiro, humorista a tempo inteiro e onde calha, jornalista já nem tanto, mas ainda assim, e membro do governo sem poder mais desensombrado de que há memória, RAP é um caso sério no mundo da comédia. Foi com o coletivo Gato Fedorento que deu a conhecer o seu talento, sagacidade e inteligência para captar os nossos tiques e idiossincrasias e desses tempos mantêm-se ainda o registo ilusoriamente ingénuo. Muito fez antes disso e outro tanto depois. Caiu na Boca do Inferno, crónica que assina semanalmente na revista Visão, e envolveu-se na Mixórdia de Temáticas, na Rádio Comercial. Gente que Não Sabe Estar, na TVI, e Isto é Gozar Com Quem Trabalha, já na SIC, são os trabalhos mais recentes em televisão. Foi o vencedor desta mesma categoria na edição transata, em 2019. Vamos ver se, este ano, repete a ‘brincadeira’.

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