SIC

Vítor

Dinarte Branco

ana antonio bento

FOTÓGRAFO DESPORTIVO | 54 anos

Nasci em Sintra e os meus dois primeiros amores conheci-os por volta dos 10 anos. Um nasceu quando o meu tio Armando me ofereceu a primeira máquina fotográfica. O meu outro amor aflorou no dia em que meu pai me levou a ver o Sintrense jogar. Decidi ali que ia ser o próximo Eusébio! Infelizmente, descobri que tinha dois pés esquerdos e tive de recolher essa paixão para trás da objetiva. Encontrei a minha vocação e passei a minha vida a trabalhar como fotógrafo desportivo.

Isso, no entanto, custou-me outro dos meus grandes amores: a Cecília. Começámos a namorar bem jovens e sempre pensei que teríamos um futuro juntos, até as nossas ambições nos travarem o caminho. A Cecília era fascinada por moda e lutou por esse sonho, foi compensada ao tornar-se Miss Portugal! Fiquei orgulhoso, mas para mim as coisas não corriam tão bem. Tirei o curso técnico de fotografia, mas o mercado de trabalho não me dava oportunidades na área do desporto, até que apareceu a proposta de ir para o estrangeiro. Foi um choque quando a Cecília recusou ir comigo. Fiquei muito amargo… Até conhecer a Simone, uma mulher e atleta extraordinária, que me fez amar novamente, a ela e aos dois filhos maravilhosos que tivemos, a Maria e o Hugo. O meu tempo com a Simone foi curto, tendo ela morrido num estúpido acidente de carro. A força fui buscá-las aos meus filhos e mudei-me com eles para o Luxemburgo.

Aos 40 anos dei por mim a precisar de um pacemaker, coisa que para a minha família, foi a origem de todos os problemas. Comigo doente, o peso das responsabilidades abateu-se sobre a Maria, que tinha 20 anos. Se estou vivo hoje é graças a ela, mas isso custou-lhe o futuro e por causa de uma decisão ingénua, tivemos fugir para Portugal e recomeçar a vida sem dar nas vistas.

Encontrei algum sossego ao ver a minha filha novamente feliz: foi mãe de uma menina linda, a Alice, e encontrou um homem bom, que lhe é completamente dedicado e que nos ajuda a todos, o Marco. Pelo menos, era isso que pensava, até este homem nos trazer de novo a insegurança à porta.

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