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Dica da Lé: Sardinha assada - escolher, preparar e eliminar odores

Espreite a dica desta semana e asse sardinhas sem receios!

Está oficialmente aberta a época da sardinhada! Nesta altura do ano, um pouco por todo o país se celebram os santos populares, o que já é sinónimo de sardinha assada. Como é óbvio, a sardinha não se come só nas festas e sai mais barato fazê-las em casa, mas muitas vezes evitamo-lo pois deixa um cheiro muito intenso e desagradável.

Hoje deixo-vos algumas dicas para reconhecer e escolher boas sardinhas, para as assar e para retirar o cheiro incomodativo, quer dos utensílios, quer “do ar”. Sardinha assada é ótimo porque, para além de ser muito saborosa e super nutritiva, não dá trabalho nenhum a arranjar, uma vez que não precisa de ser escamada nem estripada!

          

Vamos por partes: primeiro reconhecer a qualidade e saber escolher.

Ao comprar sardinhas, e se puder, prefira as frescas às congeladas. Geralmente, as pequenas são mais saborosas, já diz o ditado “a sardinha quer-se pequenina”. Ao observá-las verifique:

- a pele deve ser brilhante e sem descoloração – pele opaca indica pouca frescura;

- as guelras devem estar bem vermelhas – quando acastanhadas, o peixe pode não estar em boas condições;

- os olhos devem estar salientes, com córnea transparente e pupila negra e circular – evite peixes com olhos côncavos, córnea ensanguentada e/ou pupila acinzentada e distorcida;

- a carne deve ser firme: quando dobrarmos o peixe levemente, deve apresentar-se rijo – o tempo amolece o peixe, como tal, a firmeza é sinal de frescura;

- o odor também é importante: odor a maresia ou mesmo a algas é também sinal de peixe fresco – odores estranhos, como azedo ou amoníaco, indicam que a qualidade pode estar comprometida.

      

Na hora de as transportar utilize um saco térmico, pois o calor altera rapidamente as propriedades e qualidade da sardinha, proporcionando a que se desenvolvam microrganismos que conduzem a doenças de origem alimentar.

Em termos de consumo, o ideal é confecioná-las no próprio dia. Se pretender guardá-las, guarde, no máximo, até ao dia seguinte e na zona mais fria do frigorífico - que é, regra geral, a prateleira por cima da gaveta dos legumes. Para prazos maiores, é aconselhável que congele. Para isso, lave as sardinhas antes e utilize sacos apropriados para congelar, feche-os bem para evitar que o peixe seque e que fique amarelado; coloque-as lado a lado para evitar que se esmaguem. Escreva no saco a data em que as embalou de modo a controlar o tempo - o peixe conserva-se durante alguns meses no congelador (1 a 2 meses, no caso de peixes gordos, 3 a 4 meses, se forem magros - a sardinha é um peixe gordo). Durante o período de congelação, a temperatura deve ser constante, no mínimo de -18ºC.

Para serem confecionadas, as sardinhas não precisam ser descongeladas.

        

Para assar deve ter em atenção alguns aspetos:

- A sardinha deve ser salgada cerca de 20 minutos antes de ir à brasa. Regra geral basta um pouco de sal grosso;

- A grelha onde vai ser colocada deve estar o mais limpa possível e convém “queimá-la”, na chama do carvão, durante alguns minutos;

- O carvão deve queimar 30 minutos antes de receber as primeiras sardinhas;

- Escolha um carvão de boa qualidade, tudo é importante, ele será fundamental para umas boas brasas. Estas devem estar quentes no ponto mas não demasiado, de forma a evitar queimar o peixe e eliminar os óleos gordos contidos na pele, tidos como bons para a saúde;

- Por outro lado, a grelha, sobre as brasas, deve estar bem quente no momento de receber o peixe, para evitar agarrar a sardinha;

- Nunca junte qualquer tipo de óleo ao peixe antes de assar, ou mesmo na grelha!;

- A sardinha assa pouco tempo, evite deixar o peixe muito seco. Por regra, cinco minutos cada lado são suficientes. Acompanhe sempre o processo, de maneira a prevenir chamas sobre as brasas (o óleo que pinga da sardinha pode atiçar o fogo). Se tal acontecer, afaste a grelha do carvão, até a chama baixar;

- Tenha muita atenção e não deixe queimar o peixe, para evitar a formação de benzopirenos e outras substâncias similares que podem ser cancerígenas.

Relembro que, para assar sardinha congelada, não é necessário descongelar completamente. Passe por água para eliminar o gelo superior, salgue e pode colocar logo na grelha!

             

Por fim, o que nos dá mais dores de cabeça: remover o cheiro a peixe assado. É que, mesmo que o assemos no exterior, inevitavelmente o cheiro entra pela casa! Há inúmeras formas caseiras e económicas de o fazer, se não conhece nenhuma, está no sítio certo para aprender, se já tem o seu método, pode ser que veja algum que lhe agrade mais.

Todos os peixes deixam um cheiro característico, não são só as sardinhas. Isto acontece devido a um composto chamado Metilamina. Em contacto com a água, acontecem reacções químicas que agravam o odor do peixe. Como a nossa pele é gordurosa, esses compostos reagem rapidamente e é difícil retirar o cheiro. A forma mais eficaz de combater o odor, é com substâncias de caráter ácido, como o limão ou o vinagre, mas vou dar-lhe mais pormenores:

- para eliminar o cheiro das mãos, basta esfregar com limão ou vinagre ou ainda com bicarbonato de sódio – em qualquer dos casos, com as mãos húmidas;

- para recipientes e utensílios, utilize sal, água e bicarbonato de sódio: nos recipientes coloque o sal, o bicarbonato e cubra com água e pode colocar os utensílios, como facas ou garfos, lá dentro;

- outra forma é esfregar borras de café nos objetos e depois lavar normalmente;

- para eliminar o cheiro a peixe de uma churrasqueira, deixe a grelha sobre o fogo até que todos os restos queimem. Em seguida, limpe-a com folhas de jornal e lave-a com água fria.

           

Para neutralizar o odor no ar, também existem muitas formas caseiras, por exemplo:

- Para tirar o cheiro de peixe da cozinha, ferva limões fatiados ou limão espremido durante e após a preparação do peixe – também serve com cascas de laranja;

- Outra opção é ferver um pau de canela (ou mesmo canela em pó) com uma casca e um pouco de sumo de limão (use pouca água e depois de ferver deixe que o aroma se espalhe);

- Acenda uma vela de cera de abelha;

- Coloque um pouco de vinagre num frasco e deixe num lugar seguro na cozinha, onde ninguém possa derrubar; o vinagre ajuda a amenizar os odores que são libertados pelo peixe. O que acontece neste caso é que, quando o cheiro do peixe desaparecer, começa a sentir o cheiro do vinagre, nesse momento tape o frasco, o odor a vinagre desaparecerá rapidamente.

- Acrescento ainda uma forma de eliminar o cheiro a peixe do forno, apesar de não estar relacionado com a sardinha assada, é sempre útil: coloque uma maçã partida ao meio ou uma taça com bicarbonato de sódio dentro do forno, deixe lá ficar algum tempo (com o forno desligado) e os produtos absorverão o odor.

    

Existe também uma “receita” que pode guardar num borrifador e utilizar diversas vezes para limpar as bancadas, para isso precisa de água, álcool e cravo-da-índia. Para fazer, ferva uma mão cheia de cravo-da-Índia com uma chávena de água durante 5 minutos. Desligue o lume e abafe até arrefecer; depois de frio, misture o “chá” com uma chávena de álcool e coloque num borrifador. Esta mistura, para além de ser ótima para limpar as bancadas de gorduras e cheiros intensos, ainda afasta formigas, traças e outros insetos!

             

Depois de terminado todo o processo de limpeza, não se esqueça de despejar o lixo doméstico, é importante. Os resíduos são a maior fonte de odor, com o calor pioram e ainda por cima atraem insetos e outros animais.

    

Por fim, relembro que a sardinha capturada na costa portuguesa foi a primeira espécie de peixe em toda a Península Ibérica a obter a certificação de qualidade. Mais um bom motivo para a incluirmos na nossa alimentação!

     

Espero que vos tenha dado algumas dicas úteis. Aproveitem as festas, o calor e as sardinhas!

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