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TEATRO: Conheça as nomeadas a melhor atriz

Antónia Terrinha, Bárbara Branco, Carla Maciel, Carolina Salles e Mónica Garnel. Quem ganhará o globo de ouro?

Elas protagonizaram grandes cenas, interpretaram personagens reais e ficcionadas e deixaram claro que sem elas e a sua arte, todos somos mais pobres.

A Coragem da Minha Mãe ou como a realidade supera largamente a ficção. Baseada em factos reais, e situada em 1944, na cidade de Budapeste, ocupada, então, pela Alemanha e subjugada ao plano de extermínio nazi, a peça relata como uma judia, sinalizada para ser deportada para o campo de concentração de Auschwitz, foge a um destino fatal. A história improvável, mas verídica, da mãe do próprio autor, o dramaturgo húngaro George Tabori. Essa mulher era Elsa Tabori, que com uma mentira enfrentou um militar alemão e com ela alterou o curso do resto da sua vida. Um texto duramente parodiado, uma situação dramática e uma saída inspiradora. Tudo no decurso de uma dúzia de horas cruciais na vida de uma mulher que vai ao Inferno e dele regressa, relatadas pelo filho. Essa mulher, que aqui nos traz, é Antónia Terrinha cujo desempenho fez jus ao seu talento. Um papel que na sua estreia mundial, em 1979, teve como protagonista Hanna Schygulla, atriz fetiche de Rainer Werner Fassbinder. Um pequeno bypass apenas para reforçar a importância da personagem a que a atriz Antónia Terrinha deu vida e fôlego narrativo, numa peça que remete ainda para a mítica Mãe Coragem de Brecht.Nome grande do teatro, com uma profícua relação com a companhia O Bando, Antónia merece ovação de pé por este seu desempenho. De 2020, A Coragem da Minha Mãe, traduzida por António Carlos Conde e encenada por Jorge Silva Melo, além da atriz, levou a palco Pedro Carraca e Hélder Braz.A Companhia Artistas Unidos teve a peça em cartaz no Teatro da Politécnica, em Lisboa.

Em cena no Teatro Experimental de Cascais ,a célebre Bruscamente no Verão Passado foi a peça eleita para a reabertura de portas ao público, em julho de 2020. Um perturbador texto de Tennessee Williams, com encenação de Carlos Avilez, em que a jovem Bárbara Branco arrebatou o público, vestindo a pele de Catharine Holly, sobrinha de Violet Venable, ou seja, de Manuela Couto, na peça. Antes disso, também no TEC, Bárbara já tinha sido Lulu, a protagonista da peça de teatro com o mesmo nome e igualmente dirigida por Carlos Avilez, em cena no final de 2019.Nomeada na última edição da Gala dos Globos de Ouro, também na categoria de Melhor Atriz, pelo seu desempenho na peça As You Like It, Bárbara Branco vem deixando claro, junto do público, da crítica e dos seus pares que nasceu para o palco, não obstante o seu sucesso noutros registos.

Em cena no Teatro de S. João, no Porto, A Dama das Camélias, um texto de Alexandre Dumas, filho, permitiu que Carla Maciel voltasse a mostrar, como faz de cada vez que sobe ao palco, de que matéria é feito o seu talento. No papel de Marguerite Gautier, a trágica dama das camélias, a atriz protagoniza um momento alto da sua carreira, ao lado de nomes sonantes como Gonçalo Waddington ou Carla Bolito. Um feito a que a própria atriz deu devido, ainda que contido, destaque nas suas redes sociais onde se pôde ler, no dia 20 de agosto do ano passado: “28 anos de carreira. A Dama das Camélias de Alexandre Dumas. Encenação de Miguel Loureiro. 2020”. A acompanhar, uma foto ao espelho, onde atriz e personagem se enfrentam e que é ainda representativa do poliédrico talento de Carla Maciel, atriz com presença assegurada na televisão e no cinema.

Carolina Salles, cuja primeira grande estreia na arte de Talma a própria atriz situa noTeatro da Garagem – como referiu a Fernando Alvim, no Canal Q – subiu, no início de 2020, ao palco do Teatro Nacional D. Maria II para interpretar Catharine, a prima de Sebastian, em torno de cujo misterioso desaparecimento se desenrola a trama de mais esta versão da peça homónima de Tennessee Williams, Subitamente no Verão Passado. Cabe a Catharine descarnar a versão idealista e romantizada que a sua tia, e mãe de Sebastian, tem do desaparecido. Um confronto que deixa igualmente a nu as inconsistências da ‘realidade’, enquanto construção pessoal, ou antes as várias camadas da verdade. Um argumento que galvanizou o talento de Carolina Salles, que brilhou ao lado de nomes como Mónica Garnel. A peça, uma coprodução Teatro Nacional D. Maria II e Primeiros Sintomas. com encenação de Bruno Bravo, optou pelo termo ‘subitamente’, e não ‘bruscamente’.Mais do que mera opção de tradução é uma questão de adequação à forma como interpretam o texto e, até, quem sabe, o afastam da versão que muitos podem ter em mente e que se ancora no filme de Mankievics, onde Elizabeth Taylor ocupa o lugar de Carolina Salles nesta produção.

Enquanto a vida parecia, de facto, estar a engolir-nos, Mónica Garnel tirou da manga mais um dos seus fenomenais desempenhos, como que a provocar-nos e a impelir-nos a sair de casa e a abraçar de novo a rua e o teatro.A Vida Vai Engolir-vos,que os teatros D. Maria II e S. Luiz levaram a palco no outono de 2020, conta com a direção artística de Tónan Quito, a quem coube igualmente a estóica a daptação dos textos de Anton Tchékhov, num total de quatro das principais peças do autor russo, que resultaram em oito horas de representação, divididas em dois módulos, designados Parte I e Parte II, apresentados em salas diferentes. Um espetáculo-maratona, pela duração e pela intensidade, que tem a mudança como tema central,e a que Mónica Garnel se entregou com a arte de sempre, ou quem sabe excedendo-se, que a fome de palco era muita e o seu talento transbordava já. Um trabalho que tem tanto de exigente quanto de notável. Cabe-lhe uma honrosa nomeação para Melhor Atriz de Teatro, na edição comemorativa das bodas de prata destes globos que são de ouro.

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