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MÚSICA: Estes são os nomeados para melhor atuação. Saiba Porquê.

Capitão Fausto, Carlos do Carmo, Mariza, Ornatos Violeta e The Black Mamba estão na corrido ao Globo de Ouro

Este é o regresso a um passado recente, em que havia concertos de casa cheia e a voz de Carlos do Carmo ainda embalava Lisboa, o país e o mundo. É ainda uma incursão pelos primeiros concertos que voltaram a juntar público e artistas.

O registo indie rock e indie pop dos Capitão Fausto, banda representativa do rock alternativo nacional, encheu um Campo que parecia Pequeno para tanta energia. Um espetáculo em tudo especial, em modo de celebração dos dez anos de vida da banda de Alvalade e do seu quarto álbum, A Invenção do Dia Claro, que cumpria um ano, e que levou a palco a Orquestra Filarmonia das Beiras. O concerto fixou-se na agenda dia 7 de março de 2020, e para os anais do nosso confinamento ficará como um dos poucos grandes concertos a que foi permitido assistir nesse ano. Tomás, Salvador, Manuel, Domingos e Francisco compõem um dos coletivos mais surpreendentes e criativos do panorama musical nacional, atrás do qual segue já uma legião de fervorosos fãs. Ao palco da fama não tardaram a subir desde que, em 2011, editaram o seu primeiro álbum, Gazela, e ao dos Globos de Ouro subiram em 2019 para receber o prémio de Melhor Intérprete. Ao contrário do que preconizava o seu álbum de 2016, Capitão Fausto não têm os dias contados.

Obrigado! Foi assim, de forma humilde e elegante, apanágio de qualquer gesto do cantor, que o fadista Carlos do Carmo se despediu dos palcos, em novembro de 2019, com um concerto inesquecível – Obrigado! foi precisamente como lhe chamou. Um espetáculo memorável e emotivo, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, que passou em revista 57 anos de uma carreira ímpar, que com mérito granjeou o privilégio de ser aplaudida nos maiores e mais celebrados palcos mundiais. Entre eles contam-se o mítico Canecão, no Rio de Janeiro, a Ópera de Frankfurt, o Olympia, em Paris, ou o londrino Royal Albert Hall, para abreviar uma lista que esgotaria este tempo de antena. Mérito e Excelência, em 1998, e Melhor Intérprete Individual, em 2003, foram os Globos de Ouro que conquistou, mas, seguramente, a distinção que a história de Carlos do Carmo assinalará a bold será o Grammy Latino de Carreira, com o qual foi distinguido em 2014. Pouco mais de um ano após este concerto que aqui se recorda, no primeiro dia de 2021, Carlos do Carmo despediu-se da vida. Foi hora de dizer: Obrigado, nós!

A fadista Mariza subiu ao palco do Campo Pequeno para um muito aguardado e reagendado concerto, incluído no programa 20 20 Cultura Para Todos, uma iniciativa que promoveu 20 espetáculos, numa tentativa de criar uma pequena bolha de oxigénio para o setor na cultura, um dos mais afetados pela pandemia. Mariza tinha um álbum novo em folha, Mariza Canta Amália, e uma vontade louca de se apresentar ao vivo. O reencontro entre a artista e o público foi intenso, emotivo e inesquecível. A cantora celebrava 47 anos naquele dia 16 de dezembro de 2020, e depois dos primeiros dois temas, o público, de forma espontânea cantou-lhe os parabéns. Havia saudades no ar e vontade de comunhão. Mataram-se parte das primeiras e comungou-se tudo o que foi possível, numa plateia de espectadores com máscaras. Mariza conta com dois álbuns na lista dos 50 melhores da World Music, Mundo, de 2015, e o homónimo Mariza, de 2018. Já foi convidada do apresentador norte-americano David Letterman, já recebeu o título de Mestre da Música Mediterrânea, pela Universidade Berklee College of Music, nos EUA, e em casa guarda dois Globos de Ouro: Melhor Intérprete Individual, em 2006 e 2009.

Em julho de 2019 – ainda sem prenúncio de tudo o que aí vinha – NOS Alive traz de volta os Ornatos Violeta, mítica banda de culto do Porto que conheceu o seu fim em 2002, no pico do sucesso. Precisamente 20 anos após terem editado O Monstro Precisa de Amigos, majestosos álbum de originais que se seguiu a Cão!, Manel Cruz, Peixe, Kinörm, Elísio Donas e Nuno Prata, levaram a palco a sua brutal energia, nascida da paixão pela música, e aquele groove que os elevou a fenómeno musical, num registo rock pleno de funk. Aos poemas que escreve, Manel Cruz imprime magia e em palco é feroz. Ouvi Dizer que foi um concerto inesquecível, mas a afirmação pode pecar por defeito. Na justa medida parece esta nomeação para Melhor Atuação na edição de 2021 dos Globos de Ouro.

The Black Mamba tuteiam a soul, os blues e o funk, e por aquilo que dizemos fala uma consolidada década de carreira, concertos e digressões um pouco por todo o mundo e até um lugar no coração dos portugueses, que representaram, este ano, com honras de destaque, na 55.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, com o tema Love Is On My Side. A formação é atualmente composta por Gui Salgueiro, Marco Pombinho, Pedro Tatanka, Miguel Casais e Rui Pedro Pity, e chega a esta lista de nomeados pela sua prestação em palco no Convento de São Francisco, em dezembro de 2020. Uma atuação integrada na muito exclusiva Good Times Tour, uma digressão nacional apenas em pequenas salas de teatro e cinema do país.

Registos memoráveis num tempo de má memória.

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