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Truques de Teresa Branco contra a prisão de ventre

Tudo o que sempre quis saber sobre a prisão de ventre, mas nunca teve coragem de perguntar!

Na maioria dos casos, a prisão de ventre é um problema intestinal passageiro e sem gravidade. Para regularizar o trânsito intestinal, basta seguir algumas regras dietéticas e ajustar certos hábitos. A fisiologista Teresa Branco deixa-nos alguns conselhos práticos para tratar a obstipação.





PRISÃO DE VENTRE ou OBSTIPAÇÃO - O QUE É?

De uma forma geral, falamos em prisão de ventre (ou obstipação), quando a dificuldade em evacuar se prolonga por vários dias, quando as fezes são duras e secas, exigindo um grande esforço para a sua expulsão. Não é, contudo, possível estabelecer um padrão, pois tanto a frequência das evacuações como a consistência das fezes variam de indivíduo para indivíduo.



O doente queixa-se de prisão de ventre quando tem a perceção de que os hábitos intestinais se alteraram, quer quanto ao número de vezes em que evacua, quer quanto à dureza das fezes. Pode ainda queixar-se de inflamação do ânus, hemorróidas e fissuras. Qualquer uma destas situações pode ser simultaneamente consequência e causa da prisão de ventre, já que, ao provocarem dor, podem levar o indivíduo a adiar o momento de satisfazer aquela que, afinal, é uma necessidade fisiológica natural. É uma espécie de ciclo vicioso, porque as fezes acabam por permanecer ainda mais tempo no intestino, perdem água e tornam-se ainda mais duras.



Na maioria das vezes, a obstipação é uma disfunção intestinal benigna, ou seja, não corresponde a qualquer lesão no intestino. Trata-se, sim, de um problema funcional, na medida em que o processo de defecação não funciona normalmente.



QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

- Sensação desagradável ou mesmo dolorosa por não poder defecar normalmente;

- Fezes pouco frequentes (menos de 3 vezes por semana), duras e difíceis de evacuar;

- Sensação de não ter evacuado completamente. A isto juntam-se, por vezes, sensação, de distensão abdominal, uma alternância de diarreia -prisão de ventre, disfunção ano-rectal (fissuras, hemorróidas, prolapso rectal).



PORQUE DÓI?

Existem dois tipos de prisão de ventre, ou obstipação:

- A prisão de ventre de trânsito (ou de progressão) que afecta o conjunto do cólon de forma homogénea;

- A prisão de ventre terminal, que é um problema na expulsão relacionado com uma perturbação da dinâmica rectal.

A dor é provocada, no primeiro caso, por uma irritação e uma inflamação do cólon; no caso da prisão de ventre terminal, a dor é desencadeada pele esforços e dificuldades de evacuação do recto.

A prisão de ventre pode surgir devido a gravidez fibroma, hipertiroidismo, diabetes, fissura anal, regime alimentar ou administração de medicamentos, cólon irritável, tumores colaterais e sedentarismo.



GRUPOS DE RISCO

A prisão de ventre prevalece nas faixas etárias mais avançadas. Nelas existe uma diminuição natural do poder de expulsão das fezes, pelo facto de os músculos envolvidos estarem debilitados. Além disso, é frequente que os idosos mantenham hábitos alimentares deficientes, quer porque a falta de dentes já não lhes permite mastigar determinados alimentos, quer por falta de interesse na própria comida. Do mesmo modo, ingerem poucos líquidos e, muito provavelmente porque vivem sós, acabam por fazer refeições irregulares.

Também as grávidas são 'vítimas' comuns da prisão de ventre, em parte pela ação das hormonas sobre os músculos. Durante a gestação, poderão surgir alterações nos hábitos gastro-intestinais, devido a uma adaptação do organismo à nova condição da mulher. Os vómitos e enjoos matinais são a face mais visível dessas alterações, mas pode igualmente ocorrer diarreia ou obstipação. A "culpa" é das hormonas, neste caso, da progesterona, que atua sobre os chamados

músculos lisos, relaxando-os.



OS SINAIS DE ALERTA

É provável que sofra de prisão de ventre, se:

- Evacua apenas de três em três dias (ou mais);

- Tem de fazer esforço para conseguir evacuar;

- As fezes são muito duras;

- Elimina menos de 30 g de fezes de cada vez.

Ainda que, como mulher, tenha uma tendência maior para sofrer de obstipação (devido às mudanças hormonais da gravidez e/ou da menopausa), não se preocupe se alguma destas condições se dá ocasionalmente, desde que não interfira com o ritmo normal do intestino.

Ainda assim, caso se sinta desconfortável, peça o aconselhamento do seu médico ou farmacêutico em busca de soluções eficazes e seguras que, nas doses recomendadas, ofereçam uma resposta rápida e pontual, sem danificar o cólon.



O QUE FAZER?

Na maioria das vezes, a prisão de ventre é uma disfunção intestinal temporária, bastando algumas medidas dietéticas simples e ajustar hábitos de vida para o trânsito intestinal voltar ao normal.

- Ingerir mais fibras alimentares, aumentando o consumo de legumes, fruta e, sobretudo, cereais. O farelo de arroz integral, aveia e trigo são boas fontes de fibras. (As fibras fazem aumentar o volume das fezes e retêm uma certa quantidade de água nos intestinos, o que estimula as contrações musculares que conduzem à expulsão)

- Beber muitos líquidos, dando preferência à água (pelo menos, dois litros por dia). (A água amolece as fezes)

- Procure ir à casa de banho sempre na mesma altura do dia. O funcionamento intestinal aumenta ao acordar e após as refeições.

- Não iniba, nem ignore, a necessidade de ir à casa de banho. Mas também não convém fazer um esforço excessivo. Se não conseguir expelir as fezes que se encontram no recto, tente pressionar a zona abdominal com a mão, para ajudar.

- Praticar exercício físico regularmente.

- Usar laxantes apenas como último recurso. Estes medicamentos, se usados com frequência, tornam o intestino "preguiçoso".

- Se os sintomas resistirem a estas medidas durante mais de três semanas, a prisão de ventre alternar com diarreia ou for acompanhada de dores e espasmos abdominais, vómitos persistentes, sangue nas fezes ou perda de peso, deve consultar o médico.

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